"O nascimento do Menino Jesus é fonte de esperança e promessa de futuro. Sempre que festejamos este nascimento, somos convidados à esperança e, por esta razão, somos desafiados a realizar gestos audazes de fé, esperança e caridade. A fonte da nossa esperança é Cristo ressuscitado que nos promete a vida eterna. O Natal e a Páscoa são sempre uma bela ocasião para alimentarmos a nossa vida cristã, uma vez que fomos salvos pela esperança. O Jubileu que estamos a terminar tem de se prolongar na vida dos cristãos, da Igreja e dos homens e mulheres de boa vontade. A construção de uma sociedade mais justa é trabalho de todos."
Pela Positiva
A vida e o mundo vistos por Fernando Martins
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Uma sociedade mais justa é trabalho de todos
quinta-feira, 25 de dezembro de 2025
A vida do Américo que não quero esquecer
De sorriso largo a emoldurar-lhe o rosto gasto pelos anos e cansado de tanto trabalho e canseiras, de chapéu a bailar-lhe nas mãos calejadas pela luta do dia a dia, de gravata garrida sobre a camisa branca, de sapatos polidos e fato completo, vinha desejar-me bom Natal, tantos anos depois de nos termos conhecido. Os anos passam, mas as amizades, nem sempre manifestadas por tantos motivos, perduram. Era o caso.
O Américo tinha saudades de alguns momentos vividos e sentidos em comum. Vinha da estranja, para onde fora em hora de mudar de vida. Era a terceira tentativa, depois de ter desistido da mina que lhe roubou a saúde e nunca lhe matou a fome.
Quando o conheci, tinha trinta e poucos anos, filhos seguidinhos, pele enrugada e olhos encovados pela escuridão do poço, parecia na casa dos cinquenta.
— Tenho cara disso, mas estou muito longe. E olhe, também é por causa disso que quero fugir da mina.
Trabalhava horas a fio, em condições sub-humanas, com o pó negro do carvão a corroer-lhe os pulmões. Mal alimentado, como sina de todos os mais pobres, sentia a vida a escapar-lhe a olhos vistos. E a mulher e os filhos? Ela não podia trabalhar fora de casa. Assim lho pediam as crianças, todas a precisarem dos cuidados maternos.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
domingo, 21 de dezembro de 2025
Estórias de vida
De vez em quando, vem a hora de arrumar livros, que ficam, no fundo, na mesma. Esta operação serve, ao menos, para limpar algum pó, mas não só. Desta vez, o livro achado trouxe-me gratas lembranças, como se lê nas fotos. Foi uma dedicatória de uma prima muito amiga, a Rosa Salsa, que já repousa no coração bondoso de Deus.
António Gedeão - Minha Aldeia
Minha aldeia é todo o mundo.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.
Bate o sol na minha aldeia
com várias inclinações.
Ângulo novo, nova ideia;
outros graus, outras razões.
Que os homens da minha aldeia
são centenas de milhões.
Os homens da minha aldeia
divergem por natureza.
O mesmo sonho os separa,
a mesma fria certeza
os afasta e desampara,
rumorejante seara
onde se odeia em beleza.
Os homens da minha aldeia
formigam raivosamente
com os pés colados ao chão.
Nessa prisão permanente
cada qual é seu irmão.
Valências de fora e dentro
ligam tudo ao mesmo centro
numa inquebrável cadeia.
Longas raízes que emergem,
todos os homens convergem
no centro da minha aldeia.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.
Bate o sol na minha aldeia
com várias inclinações.
Ângulo novo, nova ideia;
outros graus, outras razões.
Que os homens da minha aldeia
são centenas de milhões.
Os homens da minha aldeia
divergem por natureza.
O mesmo sonho os separa,
a mesma fria certeza
os afasta e desampara,
rumorejante seara
onde se odeia em beleza.
Os homens da minha aldeia
formigam raivosamente
com os pés colados ao chão.
Nessa prisão permanente
cada qual é seu irmão.
Valências de fora e dentro
ligam tudo ao mesmo centro
numa inquebrável cadeia.
Longas raízes que emergem,
todos os homens convergem
no centro da minha aldeia.
Anónio Gedeão
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